CADÊ A ESCOLA QUE ESTAVA AQUI?

Laura Monte Serrat Barbosa

Passeando pela história da Escola, auxiliada por José Pacheco, em suas cartas denominadas Novas Histórias do Tempo da Velha Escola (CL) (2020), por Mário Aliguiero Manacorda, em sua obra História da Educação – da Antiguidade aos Nossos Dias (1989), e por tantos outros autores que se propõem banir o vírus do instrucionismo, encontrei muitas escolas, com distintos formatos, com origem no exercício militar, mais tarde associadas aos conventos e aos ideais iluministas.

No Egito Antigo, também ideias que sustentam a Escola de hoje estavam presentes: além de uma Escola que nasceu para preparar jovens para a guerra, ou para a vida religiosa, já existia um conceito de educação instrucionista, intelectual, como privilégio de poucos, e de educação para o trabalho, como destino de muitos. Essa dicotomia permaneceu em muitas reformas educacionais mundo afora. Os livros e os ensinamentos literários foram supervalorizados, em detrimento do trabalho que gerava um esforço físico, ideia que ainda prevalece no mundo acadêmico de hoje.

Nos registros referentes à formação dos escribas, os privilegiados da Antiguidade, por exemplo, há aspectos comuns a muitas escolas presentes no Século XXI. Acompanhem um registro trazido por Manacorda, encontrado em uma coletânea intitulada Jornada do Aluno Diligente:

Vem! Descrever-te-ei o comportamento do escriba, quando se diz: Depressa! Para o teu lugar! Os teus colegas já estão fixos nos livros. Não sejas preguiçoso! Ora dizes: Três mais três. Ora lês, diligentemente, no rolo do papiro. Ora deves fazer os cálculos em silêncio, e que não se ouça a voz de tua boca. Escreve com a mão e lê com a boca. Pede conselho. Não sejas negligente, nem passes um dia na ociosidade; senão, ai do teu corpo! Segue os métodos do teu mestre, ouve seus ensinamentos. Sê um escriba. Eis-me aqui, dirás sempre que te chamem. Cuida de nunca dizer: Ufa! (MANACORDA, 1989, p. 33-34).

Comportamentos como ficar em silêncio, obedecer ao mestre, dizer o que ele pede, resolver problemas já resolvidos, dar a resposta esperada e dizer o que o outro deseja ouvir para não sofrer uma repreensão, ainda se encontram presentes na forma de educar de muitas escolas.

A História da Educação ensinou e ensina até hoje como é importante privilegiar o saber, em detrimento do fazer da experiência. Na História da Educação, muitas escolas buscaram superar essa dicotomia; às vezes, ele foi superada na sua organização física, nem sempre foi transformada de fato.

Saberes construídos pela Humanidade só fazem sentido se consonantes com o momento da história que é vivido. No entanto, ficamos com registros no inconsciente coletivo, a respeito do papel e da função da escola, os quais parecem não fazer mais sentido nesse século: uso de quadro negro e de telas, ensino frontal, como se todos os alunos fossem um só e pudessem aprender ao mesmo tempo, no mesmo ritmo, da mesma forma, com a mesma compreensão. Provas como forma de avaliação do saber, que incentivam a classificação e a competição, e tantas outras coisas.

Apesar de todos os esforços para atualizar a escola, temos sempre algo mais a fazer, a pensar, a propor, pois a escola não é o prédio, e sim a instituição responsável pela articulação do saber e do fazer, pela atitude investigativa, pelo aprender em grupo e no grupo, pela valorização da coletividade, da cooperação e da aprendizagem.

Aprender e ensinar, objetivo da escola, é da ordem do inusitado, e reproduzir saberes, hoje, não é suficiente para que os seres humanos evoluam como integrantes da natureza, como cuidadores de sua casa – a Terra –, como pessoas de relação, e merecedoras da igualdade, e como fazedores de história.

Aprender a resolver problemas artificiais, postos pelos outros, não faz mais sentido. Hoje, aprender tem a ver com criação de problemas e busca de soluções, ambos nascidos no movimento da vida e sustentados na construção dos saberes da Humanidade, como ferramenta, e não como objeto de reprodução.  

O movimento que a vida está trazendo para o planeta, em 2020, convida a pensar e a responder algumas perguntas: Cadê a escola que estava aqui, de período integral, que permitia a intensificação das horas de trabalho e que possibilitou valorizar mais o trabalho do que a convivência? Cadê a escola que estava aqui, reconhecida como um negócio no mundo capitalista? Cadê a escola que estava aqui, detentora de um pretenso “todo saber”, que se resumia a apenas algumas áreas do conhecimento? Cadê a escola que estava aqui, entendida como responsável pela instrução de crianças e jovens? Cadê a escola que se propôs a fazer o papel dos pais?

A impossibilidade do funcionamento das escolas em seu espaço físico faz pensar sobre o que colocar no lugar dessa escola que estava aqui que, apesar de tantas transformações ao longo da história da Humanidade, ainda se parece, em muitos aspectos, com a escola militar na Prússia, a confessional na Europa e a dos escribas no Egito Antigo.

E agora? Talvez o convite seja para integrar – ao espaço externo do mundo, aos espaços internos das pessoas e aos espaços de relação – um espaço de aprender que já vinha sendo explorado, mas sem tanta intensidade: o espaço virtual; e, ao mesmo tempo, o convite seja para se cuidar com a intoxicação eletrônica. Não se trata de trocar de espaço para continuar instruindo, mas de articulá-lo aos outros espaços, para construir um novo jeito de aprender e ensinar, priorizando a pesquisa, a criação e as relações de aprender juntos, coletivamente!

Referências

MANACORDA, M. A. História da Educação. Da Antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Cortez, 1989.

PACHECO, J. Novas histórias do tempo da velha escola (CL).2020. Disponível em:

https://ecohabitare.com.br/novas-historias-do-tempo-da-velha-escola-cl/. Acesso em: 07 jul. 2020.

@sintese_aprendizagens

Equipe da Síntese

Nossa casa na rua Schiller, em respeito às orientações dos órgãos de saúde, está fechada, mas bem cuidada!

Abrimos uma janela virtual no Instagram e convidamos a todos os nossos leitores, clientes, pacientes, parceiros, aprendizes, colegas e amigos a acompanharem nossas postagens.

Esta é uma das maneiras que encontramos para permanecermos presentes e compartilharmos nossa história de 31 anos de existência e também, novas ideias.

A equipe da Síntese permanece realizando atendimento psicológico e assistência virtual psicopedagógica, participando de atividades em cursos e lives em diversos aplicativos.

Continuam em funcionamento, a assistência psicopedagógica grupal e o ateliê de arte em ladrilhos de papel, no modo virtual.

A partir do mês de agosto divulgaremos novidades!

Há um limite físico que nos impede de usufruir do ambiente da Síntese, mas estamos transitando pelo universo virtual que nos convida ao permanente e inevitável pro-ces-so de criação.

Vamos continuar e projetar, na tela do futuro próximo, a esperança por abraços acolhedores e alegres sorrisos em homenagem aos encontros presenciais.

Estamos presentes!

Alimentando a Paciência

Virginia Alice C. R. F. de Oliveira

A medida que o tempo passa e a realidade impõe-se, o que não depende de nós precisa
ser digerido, de preferência a nos trazer aprendizagens importantes, maturidade para enfrentar o
novo e alegria para ir descobrindo o que de bom cada momento nos traz, aliviando o que é difícil
de vivenciar.
Para que isso ocorra, é importante investir no exercício da paciência.
Ao buscar a etimologia da palavra paciência, descobri que ela deriva do latim: patientia.
Alguns têm usado essa palavra como originária da palavra pax, que significa paz, de uma fonte
indo-europeia.
No entanto, é mais provável que sua origem não esteja na palavra paz, mas na origem
latina pati, que significa aguentar e sofrer, e do grego pathe, que signiica sentimento, originando-
se dessa raiz também simpatia e patologia.
Assim, podemos refletir que paciência está muito mais próxima do sentimento de
aguentar e sofrer, mas também, para nossa sorte, sua raiz está na origem da palavra simpatia –
que é a capacidade de sentir o mesmo que outrem, de ser afetado pelos sentimentos alheios,
sejam eles positivos ou negativos.
Ter paciência, investir na possibilidade de ter paciência, é ter consciência de que
precisamos aguentar e de que estamos sofrendo, mas de que não é necessário viver num
sofrimento que nos leve à consumição, e sim em viver um sofrimento que provoque a experiência,
que nos leve a construir instrumentos que permitam conhecer mais e melhor sobre nós, sobre os
outros e sobre o mundo em que vivemos. Quando fazemos esse movimento, damo-nos uma
oportunidade para encarar a realidade, enxergando a luz do final do túnel, a qual pode iluminar
nossa caminhada.
Essa definição óbvia de paciência alimentou minhas possibilidades de viver com mais
serenidade nesses tempos, e também contribuiu para que eu administrasse melhor as ansiedades
inerentes. Paciência, então, pode ser conceituada como “a característica de manter um controle
emocional equilibrado sem perder a calma ao longo do tempo”.
Equilíbrio não é algo estático; pelo contrário, ele é dinâmico e oferece uma busca pela
possibilidade de manter o movimento, de tal forma a permitir um controle sobre as situações. Ter
esse controle quer dizer navegar de acordo com as ondas, estar em movimento a favor e, com

isso, aprender com as situações e com o balançar das ondas, encontrando novas formas de agir,
sentir e pensar.
Pensando mais, desenvolver a paciência, aprender a exercer a paciência é caminhar na
estrada do equilíbrio, respeitar as curvas, as descidas e subidas, assim como as intermináveis
retas. Às vezes, o caminho é largo; outras vezes, é estreito; às vezes, o chão permite o fácil
caminhar; outras vezes, é escorregadio, cheio de lama, buracos ou pedras. No entanto, é no
acolhimento, no enfrentamento do que vamos encontrar que é possível construir os instrumentos
mais eficazes para ajudar na caminhada.
Equilíbrio é movimento que faz crescer e promove harmonia. Estar harmônico é fazer o
movimento para transformar, para buscar o ajuste e a concordância; um movimento que vai em
direção à paz.
Estar em equilíbrio é buscar a resiliência, e não a resignação; é persistir; é também ouvir
com calma, libertar-se da ansiedade que pode paralisar; é ir passo a passo, buscando
possibilidades para seguir adiante e fazer parte da solução, e não só do problema.

ESPAÇO PÚBLICO X ESPAÇO PRIVADO EM CASA

Vera Lucia Germano Sicuro

Lendo o texto publicado na semana passada, fiquei pensando em situações domésticas onde, às vezes, fica difícil, para algumas pessoas, distinguir o que faz parte do espaço público ou do privado. Espaço este, que pode ser físico ou emocional.

Nestes tempos de pandemia, quando estamos em maior convivência dentro de casa, qual é o espaço púbico e qual é o privado? Será que o quarto de cada um é seu espaço privado? E o escritório, o quarto de brinquedos, a cozinha, as salas e os banheiros? E o espaço privado emocional, quando acontece ou, será que acontece?

Ao abordarmos este tema, difícil não pensarmos que estes conceitos mudam conforme a configuração familiar: famílias com crianças pequenas, com filhos de idades variadas, só de adultos, moradores de uma casa que proporciona (ou não) espaços individuais para seus membros. Difícil também não pensar, depois que se diferencia quais são os espaços físicos públicos dos privados, sobre como funcionam as regras para sua utilização e conservação. Tenho observado em muitas das famílias que atendo, muita dificuldade em lidar com este aspecto.

 Vejo algumas famílias com crianças de quatro ou cinco anos onde os pais dizem que cada uma é responsável pelo seu quarto, que lá podem brincar ou fazer o que quiserem e depois tem que arrumá-lo direitinho e que se isso não acontecer vão levar uma bronca e ficar de castigo… Fico pensando como estas crianças, nesta idade, neste período do desenvolvimento, vão se autogerir para cumprir com este grau de exigência? Como interpretam estas mensagens recebidas? Será que não estão no momento de aprender estes conceitos de liberdade, individualidade, organização, bem estar sentido com a organização? Será que não é o caso de fazer junto, de curtir este fazer, para que depois ele se torne uma necessidade dela mesma?

 Vejo também outras famílias, com filhos adolescentes,  que não lhes dão autonomia alguma: os pais entram nos quartos dos filhos sem pedir permissão, a qualquer hora, determinam de forma autoritária como devem ou não usar o tempo que ficam lá, e como devem organizá-lo.  Será que este comportamento dos pais é adequado, será que estas expectativas e/ou necessidades não poderiam ser discutidas e construídas a partir do diálogo entre as partes? Será que está sendo levado em conta que estes filhos estão sem a possibilidade de sair, encontrar com amigos, curtir seus prazeres fora de casa? Que estes filhos estão numa fase de verdadeira ebulição hormonal e emocional, e que isso muitas vezes se reflete no seu comportamento e na organização de seus pertences e do seu espaço físico?

Em compensação tenho observado estas mesmas famílias lidarem com os espaços públicos da casa como se fossem única e exclusivamente de responsabilidade dos pais. Eles que definem as regras de utilização e fazem sozinhos a sua organização e manutenção. Se tornando mais um motivo de sobrecarga e reclamação da parte dos pais que dizem que se sentem como escravos da casa e dos filhos, que não podem relaxar um momento sequer pois tem ainda as exigências profissionais que não diminuíram, as preocupações com a contaminação devido à pandemia, etc,etc… Nestes casos, por que não contar com os filhos neste processo de cuidar das áreas públicas da casa?

Conheço uma família que resolveu estas questões de organização e manutenção da casa de uma forma interessante. Depois de discutirem o que seria espaço público e privado da casa, e como poderia ser a utilização dos mesmos, juntos fizeram uma lista de todas as tarefas que precisavam ser contempladas para a organização e manutenção da casa. Como a auxiliar doméstica estava afastada em função da pandemia, resolveram que todos deveriam participar destas tarefas para que ninguém ficasse sobrecarregado. Começaram assinalando as tarefas que só poderiam ser realizadas pelos adultos, depois passaram para as tarefas que poderiam ser divididas entre os adultos e os filhos mais velhos e por ultimo, aquelas que poderiam ser feitas também pelos filhos menores. Depois de realizadas estas classificações, cada um se inscreveu, livremente, para fazer aquelas tarefas que julgava mais fáceis ou interessantes, de acordo com suas habilidades. É claro que sobraram algumas para as quais ninguém se inscreveu. Isso gerou nova conversa para decidir como resolver esta questão: resolveram fazer um rodízio onde todos as fariam, por um curto período. Resolvidas estas questões, puseram o plano em prática por uma semana e depois, sentaram novamente, discutiram a funcionalidade dos combinados e corrigiram a “rota”.

Até agora falamos do espaço físico, mas e o espaço emocional? O que faz parte do espaço público e do privado? Como lidar com este período de “alagamento” sentido no espaço emocional compartilhado? Como conseguir um tempo de individualidade para se “nutrir”, para recarregar as “baterias”? Esta é uma tarefa desafiadora, pois pressupõe que cada um(a) saiba o que o(a) ajuda neste momento e depois que tenha a coragem de reivindicar estes seus momentos, sem se sentir culpado(a) por isso.

Muitas pessoas podem se perguntar que importância tem pensar sobre isso?

E eu respondo que, do meu ponto de vista, como terapeuta familiar, esta reflexão é muito significativa. Ajuda a definir regras de convivência, estimular a autonomia, trabalhar a cooperação, a diferenciação, melhorar a comunicação, diminuir conflitos!

EM TEMPOS DE MISTURA

Reflexões de uma educadora caminhante

Laura Monte Serrat Barbosa

Olhar fecundo – Cá 2020

Quando pequena, lembro-me de que só havia um telefone na travessa em que morávamos: o nosso.

Diante de uma urgência, todos os vizinhos iam à nossa casa para emprestá-lo. Por estratégia, penso eu, ele ficava bem perto da porta da entrada lateral da casa, e uma pessoa não necessitava entrar além da copa para utilizá-lo; ela teria uma visão da cozinha, que era geminada, e nada mais.

As visitas entravam pela porta da frente e tinham apenas a visão da sala e do escritório de meu pai, que ficava no mesmo ambiente.

Os íntimos chegavam, entravam por tudo, subiam nos quartos, desciam, andavam pela cozinha, pela copa, pela sala e pelo quintal. Lá, nessa época, ainda havia algumas árvores frutíferas, aquelas que não foram derrubadas para a construção da garagem, da lavanderia, de um quarto com banheiro (que fora morada da minha avó por um tempo) e do quartão, como chamávamos o quarto onde estudávamos, dávamos festas, fazíamos artesanato e tudo aquilo que uma porção de irmãs e um irmão, juntos, podiam fazer.

Éramos uma família populosa e que, quase sempre, teve mais um ou dois agregados para compartilhar o espaço.  Apesar do grande número de pessoas na mesma habitação, herdamos, como tantas outras famílias, a ideia de privacidade do Iluminismo, quando a arquitetura doméstica modificou-se, aparecendo espaços especiais para que os componentes da família dormissem com mais privacidade, superando a cultura anterior, da Idade Média, na qual o grupo familiar e os agregados dormiam no mesmo cômodo.

No meu tempo de criança, era comum, as visitas chegarem sem avisar e, às vezes, tínhamos que correr para deixar as coisas em ordem e não passar vergonha. Quem estava de pijama corria para se arrumar; quem já estava vestido tirava a bagunça do caminho ou preparava um café, enquanto meus pais entretinham as visitas no espaço da sala. 

Com o advento da Modernidade e da Pós-modernidade, os espaços foram diminuindo, as mulheres saíram para trabalhar e, então, as visitas, quando desejavam, combinavam os encontros por telefone.

A privacidade construída e a busca por identidade e individualidade foram modificando as relações humanas ao longo da história da humanidade. Da família matriarcal à família patriarcal; da família patriarcal à família nuclear; da família nuclear às famílias reconstituídas;

das famílias reconstituídas a uma dezena de formatos e composições familiares. Cada uma com seus hábitos e suas éticas em relação à convivência no espaço público (ou seja, viver em prol do bem comum) e em relação à privacidade (ou seja, viver o individual, o nuclear), o que, de certa forma, tem a ver com o grau de intimidade entre as pessoas de determinado grupo.

Até mais ou menos os anos 1960, as famílias educavam seus filhos considerando o mundo interno (responsável pelo que se passa dentro das pessoas), o mundo externo (aquele no qual é preciso viver, estudar, trabalhar e sobreviver), além de todas as pontes possíveis entre eles. Nesse tempo, as mudanças eram mais lentas, e a ideia de estabilidade, profissional e financeira, e de movimento familiar, de certa forma, era previsível. Público e privado diferenciavam-se entre si, e as pessoas surpreendiam-se pouco com as novidades que pudessem aparecer nessa dinâmica.

A história continuou, e o mundo da tecnologia começou a imprimir um ritmo diferente; sujeitos foram substituídos pela “pessoa objeto”, e o espaço interno passou a ser menos valorizado. O espaço externo passou a ser objeto de consumo e de descarte. Além disso, surgiu outro espaço a ser entrelaçado: o espaço virtual. O espaço que tem unidade de tempo, mas não tem unidade de lugar; que descentraliza, que desterritorializa, que se caracteriza por ser um espaço da não presença. Diferente do espaço presencial, onde “somos aqui”, no espaço virtual, “somos lá”.

Virtual, segundo Pierre Lévy*, é derivado de virtus (latim medieval), que significa força, potência; portanto, é o que existe em potência, e não em ato. Segundo o autor, o virtual atualiza-se sem passar pela concretização.

Apesar de virmos, como humanidade, aprendendo a fazer o enlace desses três espaços, fomos convidados, com a chegada de uma pandemia, a aligeirar o processo e a aprender a lidar com esse espaço virtual sem conhecer a sua cartografia em totalidade, sem ter desenvolvido as competências para atualizar e virtualizar; ou seja, fomos impulsionados a transformar ideias do que está por vir, inventando, produzindo qualidades novas, criando, mas sem ter definido, se quer, um código de ética para nos relacionar intensamente neste novo espaço.

Como na Idade Média, encontramo-nos em um aglomerado de pessoas, tarefas e sentimentos. Nossa casa passou a ser o ninho da família, o espaço da escola, a sala de espera e de atendimento do consultório, o restaurante, a lavanderia, o espaço de brincar e de trabalhar. Enfim, “tudo junto e misturado”.

Novamente, espaços indiferenciados!

Então, me pergunto: Como devemos entrar na casa das pessoas pela janela virtual? Como devemos receber quem chega pela janela virtual em nossa casa? Existe uma ética para as relações que se dão num espaço que não possui uma unidade de lugar? Precisamos nos vestir para falar com o médico numa consulta de telemedicina? Precisamos pentear os cabelos para conversar com a professora? Precisamos atender uma visita na sala ou podemos atendê-la no quarto? Conversamos com a professora particular estando deitados na cama, sentados no sofá ou, ainda, em frente à escrivaninha? O que é adequado nesta ou naquela situação?

Vamos pensar! Vamos discutir as questões ligadas ao espaço privado, ao espaço público, e às relações possíveis no espaço virtual.


* LÉVY, P. O que é virtual? Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.

TIC TAC TIC TAC TIC TAC TIC TAC TIC TAC TIC TAC TIC TAC TIC TAC

Simone Carlberg

O Relógio

Vinicius de Moraes

Passa, tempo, tic-tac

Tic-tac, passa, hora

Chega logo, tic-tac

Tic-tac, e vai-te embora

Passa, tempo

Bem depressa

Não atrasa

Não demora

Que já estou

Muito cansado

Já perdi

Toda a alegria

De fazer

Meu tic-tac

Dia e noite

Noite e dia

Tic-tac

Tic-tac

Dia e noite

Noite e dia

Poema suave que nos remete ao universo infantil, talvez de outros tempos. Escrito por Vinícius de Moraes, publicado na década de 70 e também musicado. E, para o leitor que conhece a melodia, é possível ler cantando.

Foi escolhido como uma provocação inicial para pensarmos sobre tempo e sobre o tempo atual em distanciamento social.

Tempo como duração dos fatos (momentos, períodos, épocas, horas, minutos, segundos, dias, semanas, meses; passado, presente, futuro); tempo como momento atmosférico (outono, inverno, primavera, verão; temperatura; velocidade…).

Formulei a seguinte pergunta: o que é tempo para você?

Conversei com algumas pessoas e encontrei respostas interessantes como estas:

TS., um garoto de 3 anos, depois de formulada a pergunta, arregala os olhos e após um longo silêncio, diz: “não sei!”

Para T. uma garota de 8 anos “o tempo é… o tempo é… quando o sol nasce e se põe; quando os ponteiros do relógio batem meio dia; quando nós acordamos e dormimos, quer dizer, quando dormimos e acordamos no outro dia.”

E agora, em tempos de pandemia, o que você pensa sobre o tempo? Você pensa algo?

“Sim!  Parece que agora passa mais rápido, porque a gente não sai de casa!”  

Para J., uma jovem de 16 anos “o tempo… é algo incontrolável… O relógio marca a nossa rotina, estabelecida pelo ser humano. E o tempo de vida que a gente tem, é incontrolável! É um ciclo que ninguém tem controle, todo mundo passa, é geral e todos têm receio, já que não volta para trás, é sempre para frente e está envolvido com arrependimento, com vontade de aproveitar muito, cada vez, cada segundo.”

E agora, em tempos de pandemia, o que você pensa sobre o tempo?

 “Mudou! Principalmente em relação à rotina, muda tudo, a gente se enquadra numa rotina totalmente diferente…como o ser humano é controlável e manipulado, né? Alguém disse que era para usar máscara, e usamos! Alguém tem poder sobre tudo… Senti muito isto… me adaptar a fazer tudo dentro de casa. Mudou muito minha relação com meus pais e irmã, acho que foi bom até! Porque na rotina a gente perde tempo com outras coisas. Agora é ficar quieto.”

Entre os adultos consultados encontrei as seguintes reflexões:

“tempo é o espaço que determina a duração dos acontecimentos” (A. 59a);

“tempo são acontecimentos que geram em nós sentimentos, emoções, experiências e aprendizado. Tempo é muito relativo.” (S. 60a);

“para mim, o tempo é a contagem da vida. E, geralmente, ele vem com uma outra palavra junto: sem tempo; muito tempo, longo tempo, tempo curto, principalmente nessa pandemia.” (G. 60a);

“nesse momento de quarentena, desde 17 de março, praticamente isolada, mas nem tanto… tenho conseguido um tempo para me dedicar mais às artes. Aquele tempo que não passa, demoooora, e a gente consegue pensar, usufruir, refletir e devanear. E que tempo esse maravilhoso que ganhei e posso usá-lo de uma forma que nunca me permiti. O tempo parou e me fez frear também, bruscamente.” (V. 59a).

E no meu (da autora) tempo de pandemia, em minha rotina, está incluída a leitura e/ou a releitura de várias obras e, dentre elas, um livro de entrevistas cujo título é: Sobre o Tempo, organizado por Andréa Bomfim Perdigão e publicado em 2010. São 21 entrevistas com perspectivas diferentes a respeito do conceito de tempo, como por exemplo a compreensão de que “O tempo “é”, e nós estamos inseridos nele. Tanto é que nós não o sentimos passar, justamente porque nós é que fluímos dentro dele. Ele é um parâmetro dentro de uma métrica.” Maria Cristina Abdalla, Física (p.232).

Em outro livro, leio as palavras de Jean Piaget, pesquisador do processo da construção do conhecimento humano que, em um dos seus livros, A Construção do real na criança (1963) escreve sobre o tempo: “… o tempo supõe o espaço, pois que o tempo nada mais é do que uma relacionação dos eventos que o preenchem…” p. 298 e, ainda:

“O tempo confunde-se, pois, no seu ponto de partida, com as impressões de duração psicológica inerentes às atitudes de expectativa, de esforço e de satisfação, em resumo, à atividade do próprio sujeito.” P. 299

Bem, seja lá qual for o conceito, ou a compreensão de tempo que cada um de nós formula, o que há de comum é o processo vivido em um tempo histórico determinado, em um espaço geográfico e também, por que não dizer, em um tempo/espaço simbólicos.

Tempo é pro-ces-so que inclui o movimento de aprendizagem que gira como os ponteiros de um relógio, compondo não apenas uma forma circular, mas uma espiral tridimensional (imaginação minha) onde a cada giro é possível acessar o conhecimento anterior para sustentar o que está por vir.

E, é neste conhecimento anterior que podemos encontrar as experiências, as referências cognitivas, afetivas e sociais que poderão dar suporte aos processos de tomada de decisão que envolvem a atual condição humana.

Vivemos um tempo de decisões.

O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo… Mário Quintana

O que é meu ou o que é nosso? A lagoa secou!

Virginia Alice C. R. Fernandes de Oliveira

Fundo foto criado por fanjianhua – br.freepik.com

Nestes dias, sentindo reflexo da falta de chuva na cidade, numa tarefa corriqueira de lavar a roupa, vi-me a pensar. Como algo tão simples pode ser tão complexo e promover viagens a sentimentos, experiências e sensações tão profundas e também tão distantes?

Como deve ser a vida para alguém que não tem água encanada em casa?

Ali, a poucos metros da minha casa, no meio de um pequeno bosque, existe uma “ocupação”, da qual vejo apenas a trilha. Sei que ela existe pelos catadores de recicláveis que já vi entrarem por ali e também pelas casas ao redor, que foram demolidas em razão de uma reintegração de posse. Sei que pessoas estão ali dentro daquele bosque, que ali habitam famílias, e que, muito provavelmente, não têm água encanada dentro de casa.

Essa reflexão leva-me às periferias das grandes cidades, como a nossa, ao sertão deste nosso país continental, a grande parte dos países da África.

Também penso nas pessoas envolvidas em proteger as nascentes para que elas continuem a abastecer os rios, em outras preocupadas em encontrar formas de construir cisternas para que possam guardar a água da chuva, em tantas outras preocupadas em cavar poços profundos para ter acesso à água e para garantir que ela não falte.

Essas ações podem ser pensadas com objetivos individuais ou coletivos.

Perto da minha terra, onde meus pais foram agricultores, existe uma lagoa linda, que fez parte da minha infância e, até bem pouco tempo, fazia parte do nosso pôr do sol, admirado da janela da cozinha. Há poucos dias, tive notícias de que ela agoniza por falta de chuva e pelo descuido de alguns que permitiram seu assoreamento. Estes cuidaram de sua terra, para serem mais produtivas em um curto espaço de tempo, mas não se importaram que a enxurrada  proporcionada pelo excesso de chuva e pela falta de curva de nível em suas terras assoreasse a lagoa. Perdemos a lagoa; nós e eles. Hoje, suas terras estão lavadas e, por isso, precisam de um caro processo para a reconstituição da fertilidade.

 Esses fatos permitiram-me fazer analogias com várias situações da vida, e uma delas é sobre acumular e disseminar o conhecimento.

Existe um jovem empreendedor que fez sucesso em seus negócios, utilizando uma receita de um bolo que fazia (um brownie). Um dia, resolveu colocar sua receita na Internet para quem quisesse usar. Muitas pessoas perguntaram-lhe se não tinha medo de contar o segredo que permitiu o seu sucesso, e ele respondeu: Para muitos, o segredo é a alma do negócio; para mim, a alma é o segredo do negócio.

Quando era menina, no meu Caderno de Lembranças, recebi uma poesia escrita por uma prima querida. A poesia é de Guilherme de Almeida, e um dos versos diz: “Tudo muda, tudo passa neste mundo de ilusão; vai para o céu a fumaça, fica na terra o carvão”.

 A decisão está em nossas mãos: escolher o que fazer com a fumaça e o que fazer com o carvão. Acredito que tais escolhas dependem de nossas experiências anteriores, de nossa visão de humanidade e de mundo. Alguns vão ver na fumaça só poluição; outros, o calor que pode condensar água e ajudar a chuva cair. Alguns, vendo o carvão, veem o resto, a sujeira, o escuro; outros veem nele a capacidade de produzir fogo ou a substância que dá início à vida. Nenhuma das posições deixa de ser verdade. Precisamos respeitar as duas; ocupando-nos das duas, teremos chance de colher frutos mais saborosos.

Meu desejo é que esta quarentena e tudo que a promoveu permitam a todos um exercício: dar espaço ao mundo novo que estamos por conhecer.

Os efeitos dessa mudança são muito diversos; eles trazem oportunidade ao planeta e aos seres que vivem nele. Está nas mãos da humanidade construir possibilidades que aumentem a sua continuidade ou acelerem sua destruição. Está na mão do ser humano a construção de atitudes que aumentem a sua possibilidade de ser egoísta e individualista, estando apenas voltado ao seu umbigo, mas também a construção de atitudes que aumentem a sua possibilidade de ser generoso e solidário, a fim de crescer integrando as diferenças, desenvolvendo a compreensão, a empatia e a realidade de coexistência.

AH! ESTA PANDEMIA…..

Vera Lucia Germano Sicuro

Ela acabou com a minha vida, estou trabalhando como um (a) louco (a);

Separou o casal, não conversamos mais;

Transformou meus filhos pequenos nuns pestinhas que não me obedecem, não têm limites, não cumprem com suas obrigações, não colaboram;

E os adolescentes, então, não querem nada com “a hora do Brasil”….

Não vejo a hora que tudo isso acabe e a vida volte ao normal!

Não, na minha casa foi diferente, a pandemia trouxe tempo para brincar, conversar, baixou a tensão, até sobra tempo, pois, as coisas estão organizadas, as tarefas são divididas, as crianças estão calmas, estamos fazendo coisas que há tempo planejávamos e não conseguíamos realizar.

Estou com medo que acabe e tudo volte ao normal!

Será que estamos falando de pandemias diferentes?

É claro que não! A pandemia não tem intenção, não tem reflexão, ela simplesmente é, acontece. O que muda então?

Parece – me, que o que muda é o que tem dentro, ou entre, cada um de nós. Que este período de intensa convivência está permitindo que nos olhemos e à nossa forma de sentir, refletir, resolver e fazer, com muito mais intensidade. É como se, a todo o momento, estivéssemos nos olhando através de um espelho com lente de aumento… Estamos tomando consciência dos nossos padrões de comunicação e de relacionamento.

E o que são estes padrões? Padrão é a forma como usualmente nós lidamos, e muitas vezes nem nos damos conta, com sentimentos, regras, situações ou pessoas. Os padrões não aparecem magicamente, eles são construídos ao longo do tempo, com base nas nossas crenças, e do nosso (a) parceiro (a), e nas das nossas famílias de origem; nos padrões que experenciamos ao longo da nossa história. Alguns destes padrões são muito eficazes, facilitam nossas vidas, e outros as complicam. Precisamos conhecer nossos padrões para poder introduzir mudanças eficazes, caso necessitemos e/ou desejemos.

Costumo dizer, mal comparando, que não conhecer nossos padrões ineficientes, é como se ao varrer uma sala, deixássemos para trás um pouco do pó, e ao invés de juntá-lo com a pazinha, o colocássemos embaixo do tapete. Afinal, é só um pouquinho… De pouquinho em pouquinho, vai se formando uma elevação no tapete, e um dia ao andarmos desatentamente, ou nossos filhos que ainda não tem habilidade para fazer manobras de desvio, tropeçássemos e caíssemos, podendo nos machucar de forma leve ou até desastrosa.

Então é isso, que de forma metafórica, está acontecendo neste período de intensa convivência, em função da pandemia: estamos tensos, ansiosos, angustiados, desgastados, sobrecarregados de tarefas e emoções, desatentos para desviar dos montinhos de poeira que acumulamos em baixo dos tapetes…

Isto é bom ou é mau? A resposta vai depender de como lidaremos com a situação: vamos colocar a culpa na pandemia e nos acomodarmos, esperar que tudo se arrume magicamente ou vamos aproveitar para tomar consciência e nos tornarmos autores para transformar os padrões ineficazes, aqueles que trazem um resultado diverso do que desejamos. Conseguiremos realizar esta tarefa sozinhos ou precisaremos de ajuda profissional? Teremos coragem de buscá-la caso precisarmos?

Era Uma Vez é agora!

Laura Monte Serrat Barbosa

Era uma vez muitas pessoas que viveram seu tempo de produtividade no Século XX e em parte do Século XXI. Tinham uma vida muito atribulada. Inventaram máquinas e tecnologias para substituir o fazer dos humanos. O tempo livre que surgia com essas inovações ia sendo ocupado com mais coisas para fazer e, em vez de descansar, essas pessoas ficavam mais atribuladas.

O dia começava cada vez mais cedo e terminava cada vez mais tarde, com muito trabalho e pouco tempo para diversão, para descanso… para vida.

Uma dessas invenções levou o trabalho para dentro de casa e a casa para dentro do trabalho. Em vez de oito horas de trabalho, oito horas de convívio com a família e oito horas de sono, as coisas foram se misturando. O sono passou a ter um espaço de apenas cinco ou seis horas, quando o turbilhão do dia não ficava martelando na cabeça até as pessoas conseguirem dormir. A família passou a conviver na hora do almoço, ou na hora do jantar, pois com cada um correndo para um lado, preocupado com seus afazeres, não era possível muitas horas de convívio. Além disso, para casa, vinham também as tarefas da escola, do escritório, da fábrica, da loja e de tantos outros lugares. De oito horas, talvez sobrassem umas duas horas de convivência para fazer nada, conversar, perguntar sobre amenidades, ouvir música, rir e dançar.

O trabalho, sim, foi se avolumando; comeu três horas do sono, seis horas do convívio e passou a funcionar quase vinte e quatro horas por dia; durava mais ou menos dezessete horas diárias, dependendo da pessoa e da sua atribulação.

Nessa corrida, as pessoas atribuladas acabaram tendo dificuldades para fazer viagens, passeios, mergulhos no seu mundo interior; foram fugindo de si mesmas, terceirizando o convívio, tratando e medicando os vazios que a ausência de si causava.

Nessa corrida, uma parada, uma pisada no freio têm provocado inúmeras sensações nessas pessoas e naqueles que estão a sua volta.

E quem são essas pessoas? É a maioria de nós. Incluo-me nesse quadro e, por isso, pergunto:

Será possível, em vez de continuar enlouquecidos, trabalhando e trabalhando, em casa e na casa, dividir tarefas domésticas, organizar um tempo para o trabalho e aumentar um pouco mais o tempo para conviver com os nossos e descansar?

Conseguiremos modificar essa corrida desenfreada? Seremos capazes de rever valores de humanidade? Teremos condições de conviver com nossos amigos e parentes, mediados pelo bem querer?

Penso que podemos aproveitar o momento para conversar mais conosco e responder às perguntas:

Quem eu sou? Onde estou? O que já caminhei? Para onde desejo caminhar? Tenho escolhas? O que considero importante na vida que levo? O que desejo modificar? O que pode ser modificado em meu desejo?

Então, embebidos de nós, poderemos olhar para o outro, estar no lugar dele, compreender suas falhas, enxergar suas necessidades, confiar em suas possibilidades, oferecer condições de experiências, acreditar em suas escolhas, ouvir o que ele tem a dizer, argumentar e deixar um cantinho dentro de nós para recebê-lo, acolhê-lo e também para lançá-lo aos desafios que a vida coloca para todos nós!

Converse com a gente!