MAIS UM OLHAR SOBRE A PATERNIDADE

Virginia Alice C. R. Fernandes de Oliveira

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós e, embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, para que suas flechas projetem-se, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria. Assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.” (Khalil Gibran)

O convite é para uma revisita a esse poema tão antigo e tão conhecido. Ele faz com que nos sintamos ambivalentes, em alguns momentos, confusos, impotentes e até onipotentes em outros; porém, nossa busca é tornar nossos filhos potentes e vivenciar neles nossa potência.

Essa analogia faz pais e filhos tão próximos e tão distantes; são vidas que se necessitam e complementam-se, mas que só cumprem seus objetivos quando separadas, numa distância tal que permita a cada qual ser um humano inteiro, cuja convivência é fruto do acolhimento vivido.

Como contribuir para que esse arco cumpra sua missão? Como alegrar-se nesse distanciamento? Quais

são os movimentos e as ações que resultam nesse acolhimento? Como agir na diferenciação sem abandonar? Como construir afetos que aproximem os corações?

Uma relação de pais e filhos vem para promover ensinamentos e aprendizagens recíprocos. O pai completa-se no filho; o filho completa-se no pai.

Os pais vieram primeiro para ensinar; os filhos, depois, para aprender com eles. Assim, gradativamente, os pais vão percebendo que aprendem com os filhos, e os filhos vão percebendo que ensinam os pais.

Uma das ricas ferramentas para que isso aconteça é a observação. Olhar com cuidado e com atenção para o filho quando ele brinca, quando ele come, quando ele conversa, quando ele dorme, quando ele age com os pais e com os outros é um caminho eficiente para conhecê-lo, para entender em que momento ele está. Então, é possível ser: o instrumentador que lhe entrega a ferramenta necessária no momento; o maestro que rege a construção conjunta da harmonia; o professor que guia e apoia suas descobertas; o juiz que lhe apresenta as leis e a importância de cumpri-las.

Pais são margens de rio, as quais permitem que o rio se faça rio, que acompanham seu percurso, que permitem a ele adequar-se à natureza.

Pais medem a distância para não abandonar o filho que aprende; seguram na sua mão para que o tombo, se necessário, permita a construção da segurança e da confiança, para que seja possível arriscar e, assim, arrojar e aprender.

 À medida que isso acontece, o pai aprende, salvando laçadas perdidas no processo de tecer sua vida. Então, junto com os filhos, com sofrimentos e alegrias, com buscas e descobertas, com erros e acertos, com desajustes e ajustes, partilham as malhas da rede que é a vida.

 À medida que isso acontece, o pai aprende, salvando laçadas perdidas no processo de tecer sua vida. Então, junto com os filhos, com sofrimentos e alegrias, com buscas e descobertas, com erros e acertos, com desajustes e ajustes, partilham as malhas da rede que é a vida.

A PRESENÇA DA ARTE NO ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO

Laura Monte Serrat Barbosa

Arte pode ser definida como habilidade, como elemento aculturador, como veículo de cunho político e social, como aquela que denuncia e anuncia a mudança, como dom, como elemento que assume e revela as características do momento histórico; como forma de expressão de sentimentos, ideias, reflexões, crenças…

Diante de tantos enfoques sobre o que seja a Arte, ousarei articular alguns deles e construir o meu olhar a este respeito:

Arte é uma manifestação humana, que vem se desenvolvendo no percurso histórico e que representa e expressa pensamentos, ideias, sentimentos, posições, ao mesmo tempo em que denuncia questões sociais, humanas, ambientais e outras; e anuncia o caminho da transformação.

Para nós, eternos aprendizes, a presença da arte é fundamental, pois por meio dela podemos nos apropriar da construção de conhecimentos ao longo da história da humanidade, podemos nos encontrar conosco, com nossas origens, podemos refinar nosso olhar, nossa escuta e apurar a capacidade crítica, podemos interagir com outras culturas, podemos pensar/sentir, sentir/ pensar; expressar por meio de narrativas, de gestos, de imagens, de melodias… Focando/desfocando, totalizando/recortando, montando/desmontando, construindo/desconstruindo, enfim vivendo intensamente nossa capacidade de criar olhares, saberes, fazeres e sensibilidade ativa que nos encaminhe para a melhoria de nossas vidas, do ambiente e dos nossos convivas.

Como estamos precisando, neste momento histórico, da Arte!

Neste sentido a arte é ferramenta, é instrumento para o processo de conhecer, de aprender mais e melhor, para agir no mundo.

As crianças que recebo têm chegado muito racionais, ou muito fantasiosas, com dificuldades de aprender e com dificuldades de perceber o seu entorno, de observar, de escutar, de pensar e de fazer. Ansiosas, algumas esperam, embora, sem desejar, uma enxurrada de letras e números e um passo de mágica para que rapidamente saibam aquilo que não estão conseguindo aprender nos espaços de aprendizagem formal.

Estranham quando lhes apresento obras de arte, livros de arte, possibilidades de expressão artística. Um dia uma delas me disse: “Mas minha mãe disse que eu vim aqui para aprender a ler e escrever e você não está respeitando isso”. Ao que lhe respondi: “Ler e escrever não são ações separadas do mundo, representam uma forma de conhecer e expressar coisas do mundo e por isso precisamos olhá-lo de diferentes formas; pegar no mundo de distintas maneiras, viver as situações intensamente para podermos ter o que escrever e aproveitar, de verdade, o que lemos.

Aprender a ler a arte e a expressar-se por meio dela é uma forma de desenvolver percepção, discriminação, atenção, sensibilidade, preocupação, cuidado, originalidade, e muitas outras habilidades e competências das quais necessitamos para aprender um dos mais importantes instrumentos simbólicos de algumas culturas – a linguagem escrita.

Aprender a ler a arte e a expressar-se por meio dela é uma forma de desenvolver percepção, discriminação, atenção, sensibilidade, preocupação, cuidado, originalidade, e muitas outras habilidades e competências das quais necessitamos para aprender um dos mais importantes instrumentos simbólicos de algumas culturas – a linguagem escrita.

Brincar em Transformação

No dia 20 de setembro de 2019, realizamos a nossa já tradicional Ciranda de Educadores, com o tema “Brincar em Transformação” comemorando: os 30 anos da equipe de profissionais da Síntese; lançamento do novo site e os 20 anos de realização da Ciranda de Educadores.

A Ciranda cirandou!

Uni duni tê…

A mene mene mu a besta é tu!

Lá em cima do piano tem um copo de veneno…

Bola de fogo, roda geral…

E tantas outras brincadeiras para escolher quem ia brincar, com o quê e como…

Brincar em transformação – da ampulheta ao cronômetro digital…

Brincar é transformação! Transformar objetos, pessoas, relações.

Brincar é a possibilidade de criar… É um fenômeno característico dos mamíferos… É compartilhar ideias e ações, é construir-se e é a possibilidade de simbolizar e continuar brincando na vida!

E a Ciranda cirandou…

Cirandou trazendo alegria, partilhando e compilando saberes.

Cirandou propondo a possibilidade de transformar, nós em laços e laços em nós que dão segurança.

Cirandou propondo o simples, o singelo. Promovendo e validando o complexo do latim complexus que quer dizer cercar, abarcar, compreender.

Cirandou trazendo reflexão, novas possibilidades para dividir os saberes, diminuir as distâncias, somar as descobertas e multiplicar a humanização.

Cirandou para trazer esperanças, vivenciar a coexistência e construir a paz.

Converse com a gente!