O brincar: o elemento água

Arlete Zagonel Serafini

           Brincando um pouco com as palavras brincar e natureza, podemos construir algumas outras, tais como: brincareza, natubrinca, brincanatu e, porque não, brincanatureza ou naturezabrinca. Pensei nestas novas palavras porque acredito que na natureza o ser humano tem a possibilidade de se desenvolver de forma integrada, de ir construindo o seu pertencimento neste mundo.

           O livre brincar num ambiente natural vai dando à criança, através  da imaginação  criativa,  significado ao seu mundo interior. Por quê? Porque somos natureza, daí a necessidade de expressar simbolicamente nossas necessidades internas.

               “A materialidade do brincar (água, terra, fogo e ar) abre caminhos que desembocam na substancialidade do imaginar. As matérias da brincadeira alcançam os sentidos da criança como o arco, as cordas do violino. Produz efeito esse encontro, um riquíssimo espectro de impressões e sentidos. Faz trabalhar uma imaginação vital. Uma imaginação que estabelece vínculo entre a criança e a natureza e tem capacidades específicas e maior plasticidade: é transformadora, regeneradora.”Gandhi Gorski-2016

          O ambiente natural é matriz, por isso a criança se revela na sua totalidade. A criança brinca de forma integrada com estes quatros elementos, porém em cada momento dependendo de sua necessidade, um se apresenta mais forte e é trazido com mais vigor. Ao brincar com a água, por exemplo, aparece mais a fluidez, a flutuação, o equilíbrio, o peso, os limites da força física ou do ambiente ( rio, mar, piscina, lago, cascata, banheira, balde…); o corpo relaxa, revigora, testa a leveza, as mudanças corporais. Neste brincar livre, vai despertando a criança imaginativa, significando os sentimentos, a percepção, os sentidos.

          Através de suas ações constrói respeito, limites, vínculos, escolhas, autonomia, segurança… O adulto aparece como um observador, um mediador para intervir quando necessário, cuidando para não interferir nesta construção do interno/externo porque, provavelmente, a simbolização, a revalidação da cultura humana está se processando.

          Temos feito pouco uso dos espaços ao ar livre. Eles fazem parte de nós porque como já dissemos, nós somos natureza. Como hoje abordamos um pouco do elemento água, gostaria de sugerir a observação de uma ou de várias crianças brincando com ou na água. Tenho certeza que vai ser uma experiência  gratificante e vai aguçar a criança que vive e sempre viverá dentro de você. 

          A jornalista Suzana Camargo diz: “o melhor mesmo é brincar ao ar livre. Sempre! Subindo em árvore, fazendo comidinha com folhas e flores, se sujando na lama. A natureza oferece tudo o que uma criança precisa para se desenvolver de maneira saudável e feliz!”

Meu filho não aprende

Laura Monte Serrat Barbosa

Meu Filho não aprende!

Minha filha é desatenta!

Meu aluno não estuda!

Minha aluna é dispersa!

O que será que nossos filhos e nossos alunos estão querendo nos dizer com esses comportamentos?

A Terra gira, o tempo é dinâmico, os espaços vão se transformando, mas nossos filhos e alunos precisam continuar aprendendo o que aprendemos lá atrás, se comportando e se importando com o que nos importamos lá atrás.

Talvez tenha chegado a hora de pararmos para pensar, nos perguntar e mudar o ângulo de nossa visão para descobrirmos outras possibilidades de discurso que nos impulsione para o futuro.

“Meu filho, ah! Meu filho aprende diferente de mim, preciso descobrir como posso conversar com ele para que a gente se entenda”.

Minha filha tem interesses diferentes dos meus e por isso as coisas de ontem já não chamam tanta atenção dela.

Meu aluno… Ah, meu aluno tem uma forma “bizarra” de estudar. Assiste vídeo-aulas, prefere documentários às minhas aulas, gosta de série… O que posso fazer para que essas novas habilidades mentais possam ser utilizadas em sua aprendizagem?

Qual será o estilo do meu aluno? Muito ativo? Mais reflexivo? Teórico? Pragmático?

No meu tempo achávamos que todos aprendiam da mesma forma…

Como estuda alguém com estilo ativo para aprender? Talvez os estilos reflexivo e teórico se aproximem da forma de estudar que conhecemos… E o pragmático? Tenta aplicar o que aprendeu?  É mais prático?

Minha aluna está desenvolvendo a atenção descentrada, tão necessária nos dias de hoje. O que posso fazer e contribuir para que ela consiga articular atenção descentrada à atenção concentrada, tão nossa conhecida?

Mudando de ângulo podemos perceber o quanto, ainda, precisamos aprender!

Converse com a gente!