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AH! ESTA PANDEMIA…..

13 de maio de 2020

Vera Lucia Germano Sicuro

Ela acabou com a minha vida, estou trabalhando como um (a) louco (a);

Separou o casal, não conversamos mais;

Transformou meus filhos pequenos nuns pestinhas que não me obedecem, não têm limites, não cumprem com suas obrigações, não colaboram;

E os adolescentes, então, não querem nada com “a hora do Brasil”….

Não vejo a hora que tudo isso acabe e a vida volte ao normal!

Não, na minha casa foi diferente, a pandemia trouxe tempo para brincar, conversar, baixou a tensão, até sobra tempo, pois, as coisas estão organizadas, as tarefas são divididas, as crianças estão calmas, estamos fazendo coisas que há tempo planejávamos e não conseguíamos realizar.

Estou com medo que acabe e tudo volte ao normal!

Será que estamos falando de pandemias diferentes?

É claro que não! A pandemia não tem intenção, não tem reflexão, ela simplesmente é, acontece. O que muda então?

Parece – me, que o que muda é o que tem dentro, ou entre, cada um de nós. Que este período de intensa convivência está permitindo que nos olhemos e à nossa forma de sentir, refletir, resolver e fazer, com muito mais intensidade. É como se, a todo o momento, estivéssemos nos olhando através de um espelho com lente de aumento… Estamos tomando consciência dos nossos padrões de comunicação e de relacionamento.

E o que são estes padrões? Padrão é a forma como usualmente nós lidamos, e muitas vezes nem nos damos conta, com sentimentos, regras, situações ou pessoas. Os padrões não aparecem magicamente, eles são construídos ao longo do tempo, com base nas nossas crenças, e do nosso (a) parceiro (a), e nas das nossas famílias de origem; nos padrões que experenciamos ao longo da nossa história. Alguns destes padrões são muito eficazes, facilitam nossas vidas, e outros as complicam. Precisamos conhecer nossos padrões para poder introduzir mudanças eficazes, caso necessitemos e/ou desejemos.

Costumo dizer, mal comparando, que não conhecer nossos padrões ineficientes, é como se ao varrer uma sala, deixássemos para trás um pouco do pó, e ao invés de juntá-lo com a pazinha, o colocássemos embaixo do tapete. Afinal, é só um pouquinho… De pouquinho em pouquinho, vai se formando uma elevação no tapete, e um dia ao andarmos desatentamente, ou nossos filhos que ainda não tem habilidade para fazer manobras de desvio, tropeçássemos e caíssemos, podendo nos machucar de forma leve ou até desastrosa.

Então é isso, que de forma metafórica, está acontecendo neste período de intensa convivência, em função da pandemia: estamos tensos, ansiosos, angustiados, desgastados, sobrecarregados de tarefas e emoções, desatentos para desviar dos montinhos de poeira que acumulamos em baixo dos tapetes…

Isto é bom ou é mau? A resposta vai depender de como lidaremos com a situação: vamos colocar a culpa na pandemia e nos acomodarmos, esperar que tudo se arrume magicamente ou vamos aproveitar para tomar consciência e nos tornarmos autores para transformar os padrões ineficazes, aqueles que trazem um resultado diverso do que desejamos. Conseguiremos realizar esta tarefa sozinhos ou precisaremos de ajuda profissional? Teremos coragem de buscá-la caso precisarmos?

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