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Enfrentando desafios

12 de março de 2020

Virginia Alice C. R. F. de Oliveira

É tempo de coronavírus! A preocupação com a doença toma conta de nós. Existem aqueles que estão preocupados com a higienização, com os cuidados para aumentar a imunidade; outros preocupam-se  com a saúde pública, querendo saber o que o governo está fazendo para cuidar da população frente a essa ameaça; tem aqueles que, sem se ocupar com as consequências, a qualquer custo, imaginam soluções e enchem as mídias com histórias que podem acabar espalhando o terror e o pânico.

 O envolvimento com a doença pode ficar tão grande que acabamos nos esquecendo da saúde. Buscamos a saúde e valorizamos a doença! Longe de estar dizendo que cuidados não são necessários, temos que nos cuidar e cuidar dos outros; porém, quero refletir a respeito de sermos filhos do imediatismo, da busca do furo jornalístico, da valorização do sensacionalismo.

– Tem mais um caso suspeito!

– Não é possível que os aeroportos continuem a receber as pessoas sem um plano de prevenção!

– Morreram tantas pessoas em tal lugar!

– Estão exagerando ou minimizando o problema?

– É o apocalipse!

– Vídeos espalham-se na mídia, mostrando pessoas desmaiando nas ruas sem socorro. Hospitais são construídos às pressas e preparados para receber os futuros doentes. Acabam-se as máscaras descartáveis, e o álcool em gel não é mais encontrado em lugar algum.

– É o fim dos tempos!

Claro que são momentos preocupantes, e não dá para agir como se não estivesse acontecendo nada. No entanto, espera um pouco!

É tempo de usar mais nosso tempo ao ar livre, de fazer piquenique, de fazer caminhada, de observar os pássaros, as árvores, as flores, as paisagens, os rios… Se o clima não permite, é tempo de ficar mais em nossa privacidade e aprofundar nossos relacionamentos. É tempo de tirar os jogos de tabuleiro das gavetas, exercitar a importância de vivenciar as regras, de estreitar os laços e afrouxar os nós. É tempo de sentar-se ao redor da mesa, de aprofundar o conhecimento sobre nós mesmos e sobre o outro, que está próximo a nós. É tempo de ouvir e ver também com o coração. É tempo de contar histórias da carochinha, histórias dos nossos antepassados, vasculhando fotografias. É tempo de reavaliar juntos os entulhos da casa, tudo que não usamos mais e é útil para tanta gente, o que precisa de um reparo para continuar sendo usado, trazendo alegria, brincadeira, aconchego, utilidade. É tempo de avaliar, no meio disso tudo, o que está pronto para ser usado: aquele CD que a gente nem ouviu ou curtiu tão pouco, aquele livro que ficou no cantinho, e também separar coisas que são mesmo descartáveis para nós e precisam ir para a reciclagem ou para a doação. É tempo de experimentar aquela receita que, há tanto tempo, está por ser feita e de cozinhar junto; a cozinha é espaço do afeto, é mais um lugar para vivenciar o dar e o receber.

É importante refletir.

Não seria esse um tempo de recolhimento e acolhimento? Um tempo de usufruir da solidão, mas não necessariamente de estar solitário? Um tempo para pensar na vida que pulsa como um coração; como um farol que pisca clareando caminhos? Um tempo para pensar na vida que se movimenta como as marés, como o anoitecer e o amanhecer; como as horas que passam, independente do nosso controle e do nosso comando; como as estações que chegam e vão, mais definidas em alguns anos e menos em outros.

Não seria esse um tempo de sincronizar as ações nesse processo da vida? Um tempo de envolver-se com os ciclos, de integrar-se às necessidades do momento? Um tempo de aprender com o que a natureza ensina, reconhecendo-se parte de uma cadeia, em que cada ação reflete uma ação, a qual transforma o todo e, assim, sucessivamente?

Se nos posicionarmos em direção à vida, se agirmos de forma a ir ao encontro dela, eu acredito que teremos muitas possibilidades de contribuir para enfrentar o momento, promovendo saúde; acredito que aprenderemos muito vivenciando situações que tragam eficiência para enfrentar problemas, que tragam conhecimento interior e experiência de convívio harmonioso, com prazer e alegria!

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