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SOBRE APRENDER

26 de março de 2020

Simone Carlberg

Eu aprendo

Tu aprendes

Nós aprendemos

Aprendizagem é um PRO-CES-SO que ocorre na interação e na inter-relação entre pessoas e o ambiente. De dentro para fora e de fora para dentro. 

Em meio à pandemia, o verbo aprender tem sido conjugado em entrevistas, vídeos, mensagens escritas. Evidenciam-se tarefas cotidianas como novas aprendizagens: passar roupas; cozinhar; realizar várias tarefas de âmbitos diferentes em um mesmo ambiente; criar e organizar uma rotina; acompanhar e/ou preparar aulas on-line ou remotas; conviver 24 horas com familiares; coexistir em ambientes pequenos ou grandes; cooperar; dividir tarefas; acompanhar as crianças em suas necessidades: alimentação, sono, carinho, atividades…; ficar só; projetar cardápios, organizar as compras; planejar gastos; acompanhar notícias anunciadas em diversas telas; ponderar sobre o que é “verdade” e o que é enganação; organizar gavetas; lavar roupas; ler um romance e tantas outras. 

Exercitar estas aprendizagens pressupõe um estado de abertura para o novo, para o inusitado, muito embora, a lista de aprendizagens possa parecer de realização simples pode tornar-se complexa se não houver uma demanda interna.

Será preciso pensar em desejo. É preciso ponderar sobre o que é desejar? 

Bem, provavelmente todos desejamos que a pandemia passe…

Eu desejo, tu desejas, nós desejamos

E quando ela passar, possivelmente, muitos de nós estaremos modificados pela experiência e, se modificados, em outra condição de aprendizagem e não somente porque aprendemos a fazer coisas que não fazíamos anteriormente, mas sobretudo porque vivemos autenticamente esta experiência, que passou por dentro de nós num movimento de integração entre as dimensões do nosso SER (cognitiva, afetiva, funcional e social).

O conjunto das aprendizagens anteriores nos colocam à frente de uma nova experiência – o isolamento físico social – vivida em diferentes graus por cada um de nós.

Que possamos projetar a esperança em nossa nova condição de aprendizes, talvez com um maior grau de autonomia moral que implica em cooperação e respeito mútuo. 

Continuemos: eu aprendo, tu aprendes, nós aprendemos…

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