É o que temos para hoje…
19 de março de 2020Vera Lucia Germano Sicuro

Muitos pais que atendemos, quer seja na modalidade de Orientação de Pais, ou na de Terapia Familiar, ao se falar da necessidade e importância de colocar limites em seus filhos e ensiná-los a lidar com a frustração, respondem que esta é uma tarefa muito difícil, pois a vida não colabora…. Que, “antigamente”, as restrições eram reais, não havia tantos brinquedos, nem eram tão acessíveis; que não havia tanto acesso à mídia para criar desejos; que as refeições eram feitas em casa, com produtos da estação, sem tantos restaurantes a quilo ou praças de alimentação onde cada um pode escolher o que desejar, até mesmo sem precisar esperar muito pelo preparo; que o acesso à TV, computadores e demais eletrônicos era restrito, pertenciam mais ao mundo adulto, muito diferente da realidade atual…. Estes pais sentem que precisam ser “artificiais” para ensinar a seus filhos as regras da sua casa, os hábitos, as crenças e o sistema de valores da sua família.
Agora temos um “motivo real, concreto” que não depende da vontade dos pais: a nossa pandemia.
Será que agora estes pais, terão suas dificuldades diminuídas, conseguirão ter argumentos suficientes para dizer a seus filhos que não é hora de ir ao cinema, ao shopping, ao parquinho (se ele estiver muito cheio), aos barzinhos, às baladas que são lugares de possíveis contaminações? Será que vão ter paciência de criar atividades, de dar significado ao estar em casa neste momento? Será que não vão deixar tudo como está, como se fosse um período de férias, com as crianças focadas só no prazer imediato?
Os pais precisam refletir sobre o que querem ensinar a seus filhos, crianças e adolescentes, na atual situação, como podem fazê-lo, de forma a que sua mensagem e as suas estratégias sejam constantes e coerentes.
Precisamos cuidar para não passar a mensagem de que a forma de preservar a população de risco, na qual possivelmente nossos pais estão incluídos, seja simplesmente deixar de visitar os avós…
