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Advento, tempo de preparar: Natal, Ano Novo, Férias!

05 de dezembro de 2019

Virginia Alice C. R. Fernandes de Oliveira

No último domingo, as igrejas cristãs marcaram o início do Advento. O termo vem do latim, adventun, e significa vinda, chegada de algo, de alguém. Quando se pensa na chegada, pressupõe-se preparar, planejar, a fim de receber bem, aproveitar aquilo que chega e usufruir da companhia de quem chega.

Esse termo denomina um tempo de preparação, que antecede o Natal, e também pode sugerir uma reflexão sobre as férias escolares que estão chegando.

Férias significa um tempo de descanso, uma mudança na rotina cotidiana que ajuda a restaurar a disposição das pessoas depois de um período de trabalho. Portanto, pode-se dizer que este é o Advento das Férias, em especial das férias escolares.

Então, que tal preparar um tempo para suspender as atividades e deixar o dia acontecer calmamente? Que tal permitir que a tranquilidade tome conta das crianças, para que elas possam vivenciar o ócio, acalmar-se, aprender também a usufruir do silêncio? Que tal preparar umas férias com tempo de “fazer nada”, diferente do dia a dia de hoje, que exige um fazer sem parar? Que tal dar às crianças, como presente de Natal, este tal tempo de “fazer nada”?

Em Grande Sertão, Veredas, Guimarães Rosa já provocava uma reflexão sobre o valor do nada, como elemento de contemplação e de entendimento do mundo. Segundo Renata Penzani, escritora e jornalista, uma das coisas mais importantes que se pode dar a uma criança, numa perspectiva criativa, é um “nada”.

Um “nada” para que ela possa buscar dentro de si o que fazer; um “nada” para ela brincar com os brinquedos guardados e misturados, os quais ela nem lembra que existem; um “nada” para ela brincar com a gaveta do criado mudo, com tantos tesouros guardados e que já viraram bagunça; um “nada” para ela brincar vendo a chuva desenhar no vidro da janela: gotinhas que mostram quando ela começa, que batem no vidro, que escorrem quando ela cessa; um “nada” para ela brincar deitada na grama, dando nome  à forma das nuvens, inventando histórias; um “nada” para ela brincar com a casca da melancia, da sobremesa do almoço, que  pode se transformar, com a ajuda de palitos, em animais da floresta ou de uma linda fazenda; um “nada” para ela brincar com galhinhos que se tornam varinhas mágicas ou colheres de poções feitas de flores, folhas, terra, areia e água.

Isso tudo faz parte de um belo presente: “o nada”; um tempo de power off, de viajar para dentro de si, a fim de significar o que está fora de si.

Isso não é uma apologia contra o brinquedo pronto, que faz pela criança, que permite a passividade! É, sim, uma proposta de outra forma de brincar, já meio esquecida, pouco valorizada; uma forma de brincar que dá à criança a liberdade de ser um agente, de ser um criador de sua brincadeira, de estar livre para inventar, para enfatizar suas capacidades e para produzir mais.

Então, exercitar o ócio é uma das maneiras de ela aprender a ser livre, a ser criativa, a ser autônoma, a buscar resolver seus problemas, a suportar construtivamente as frustrações, a contemplar, a ver o mundo e a aumentar a probabilidade de assumir seu papel de transformadora da vida.

Portanto, neste tempo de Advento, de busca de presentes para dar no Natal, propõe-se aos pais:

– reflitam sobre preparar um tempo e um espaço, a fim de presentear as crianças com o “nada”;

– cuidem com carinho desse presente, para que ele se trasforme em observação, em conhecimento, em aprofundamento a respeito de seu filho.

Assim, ao crescer, seu filho poderá vivenciar com alegria o tempo do ócio e do nada, como combustível para a liberdade de refletir, criar e transformar.

Como sugestão para continuar a reflexão, indicam-se:

www.garimpomiudo.com

www.lunetas.com.br/tempo-livre-e-silencio-o-poder-do-ocio-na-vida-das-criancas/

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