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MAIS UM OLHAR SOBRE A PATERNIDADE

31 de outubro de 2019

Virginia Alice C. R. Fernandes de Oliveira

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós e, embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, para que suas flechas projetem-se, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria. Assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.” (Khalil Gibran)

O convite é para uma revisita a esse poema tão antigo e tão conhecido. Ele faz com que nos sintamos ambivalentes, em alguns momentos, confusos, impotentes e até onipotentes em outros; porém, nossa busca é tornar nossos filhos potentes e vivenciar neles nossa potência.

Essa analogia faz pais e filhos tão próximos e tão distantes; são vidas que se necessitam e complementam-se, mas que só cumprem seus objetivos quando separadas, numa distância tal que permita a cada qual ser um humano inteiro, cuja convivência é fruto do acolhimento vivido.

Como contribuir para que esse arco cumpra sua missão? Como alegrar-se nesse distanciamento? Quais

são os movimentos e as ações que resultam nesse acolhimento? Como agir na diferenciação sem abandonar? Como construir afetos que aproximem os corações?

Uma relação de pais e filhos vem para promover ensinamentos e aprendizagens recíprocos. O pai completa-se no filho; o filho completa-se no pai.

Os pais vieram primeiro para ensinar; os filhos, depois, para aprender com eles. Assim, gradativamente, os pais vão percebendo que aprendem com os filhos, e os filhos vão percebendo que ensinam os pais.

Uma das ricas ferramentas para que isso aconteça é a observação. Olhar com cuidado e com atenção para o filho quando ele brinca, quando ele come, quando ele conversa, quando ele dorme, quando ele age com os pais e com os outros é um caminho eficiente para conhecê-lo, para entender em que momento ele está. Então, é possível ser: o instrumentador que lhe entrega a ferramenta necessária no momento; o maestro que rege a construção conjunta da harmonia; o professor que guia e apoia suas descobertas; o juiz que lhe apresenta as leis e a importância de cumpri-las.

Pais são margens de rio, as quais permitem que o rio se faça rio, que acompanham seu percurso, que permitem a ele adequar-se à natureza.

Pais medem a distância para não abandonar o filho que aprende; seguram na sua mão para que o tombo, se necessário, permita a construção da segurança e da confiança, para que seja possível arriscar e, assim, arrojar e aprender.

 À medida que isso acontece, o pai aprende, salvando laçadas perdidas no processo de tecer sua vida. Então, junto com os filhos, com sofrimentos e alegrias, com buscas e descobertas, com erros e acertos, com desajustes e ajustes, partilham as malhas da rede que é a vida.

 À medida que isso acontece, o pai aprende, salvando laçadas perdidas no processo de tecer sua vida. Então, junto com os filhos, com sofrimentos e alegrias, com buscas e descobertas, com erros e acertos, com desajustes e ajustes, partilham as malhas da rede que é a vida.

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