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Alimentando a Paciência

08 de julho de 2020

Virginia Alice C. R. F. de Oliveira

A medida que o tempo passa e a realidade impõe-se, o que não depende de nós precisa
ser digerido, de preferência a nos trazer aprendizagens importantes, maturidade para enfrentar o
novo e alegria para ir descobrindo o que de bom cada momento nos traz, aliviando o que é difícil
de vivenciar.
Para que isso ocorra, é importante investir no exercício da paciência.
Ao buscar a etimologia da palavra paciência, descobri que ela deriva do latim: patientia.
Alguns têm usado essa palavra como originária da palavra pax, que significa paz, de uma fonte
indo-europeia.
No entanto, é mais provável que sua origem não esteja na palavra paz, mas na origem
latina pati, que significa aguentar e sofrer, e do grego pathe, que signiica sentimento, originando-
se dessa raiz também simpatia e patologia.
Assim, podemos refletir que paciência está muito mais próxima do sentimento de
aguentar e sofrer, mas também, para nossa sorte, sua raiz está na origem da palavra simpatia –
que é a capacidade de sentir o mesmo que outrem, de ser afetado pelos sentimentos alheios,
sejam eles positivos ou negativos.
Ter paciência, investir na possibilidade de ter paciência, é ter consciência de que
precisamos aguentar e de que estamos sofrendo, mas de que não é necessário viver num
sofrimento que nos leve à consumição, e sim em viver um sofrimento que provoque a experiência,
que nos leve a construir instrumentos que permitam conhecer mais e melhor sobre nós, sobre os
outros e sobre o mundo em que vivemos. Quando fazemos esse movimento, damo-nos uma
oportunidade para encarar a realidade, enxergando a luz do final do túnel, a qual pode iluminar
nossa caminhada.
Essa definição óbvia de paciência alimentou minhas possibilidades de viver com mais
serenidade nesses tempos, e também contribuiu para que eu administrasse melhor as ansiedades
inerentes. Paciência, então, pode ser conceituada como “a característica de manter um controle
emocional equilibrado sem perder a calma ao longo do tempo”.
Equilíbrio não é algo estático; pelo contrário, ele é dinâmico e oferece uma busca pela
possibilidade de manter o movimento, de tal forma a permitir um controle sobre as situações. Ter
esse controle quer dizer navegar de acordo com as ondas, estar em movimento a favor e, com

isso, aprender com as situações e com o balançar das ondas, encontrando novas formas de agir,
sentir e pensar.
Pensando mais, desenvolver a paciência, aprender a exercer a paciência é caminhar na
estrada do equilíbrio, respeitar as curvas, as descidas e subidas, assim como as intermináveis
retas. Às vezes, o caminho é largo; outras vezes, é estreito; às vezes, o chão permite o fácil
caminhar; outras vezes, é escorregadio, cheio de lama, buracos ou pedras. No entanto, é no
acolhimento, no enfrentamento do que vamos encontrar que é possível construir os instrumentos
mais eficazes para ajudar na caminhada.
Equilíbrio é movimento que faz crescer e promove harmonia. Estar harmônico é fazer o
movimento para transformar, para buscar o ajuste e a concordância; um movimento que vai em
direção à paz.
Estar em equilíbrio é buscar a resiliência, e não a resignação; é persistir; é também ouvir
com calma, libertar-se da ansiedade que pode paralisar; é ir passo a passo, buscando
possibilidades para seguir adiante e fazer parte da solução, e não só do problema.

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